Batizando a Terra na Biodinâmica
I. A vida: O Padrão de Tornar-se
Cristo não é apenas uma figura na história - Sua vida é a forma do próprio mundo
Há um padrão entrelaçado no corpo vivo da Terra, que se repete em formas mais humildes que se estendem pelas estações litúrgicas. Na semente que brota, na folha que se desdobra, na árvore frutífera e em seu retorno outonal à quietude, testemunhamos repetidamente a forma da Encarnação, da Paixão e da Ressurreição. Essa não é uma questão de credo, crença ou filiação. É um arquétipo que informa toda a existência. "O Método Biodinâmico, entretanto, pode ser empregado por qualquer agricultor. Isso deve ser enfatizado, pois muitos, mais tarde, tiveram a ideia de que não se poderia trabalhar biodinamicamente se não fosse um antroposofista. ... É preciso aprender a entender que há uma diferença entre a mera aplicação do método e a colaboração criativa" (Ehrenfried E. Pfeiffer, como citado em Applied Biodynamics, no. 63, 2008-2009, 2). Sempre estamos participando desse mistério. A única questão é se desejamos fazer isso conscientemente ou não.
Candace Coffin escreveu: "Celebramos o Natal nesta época, o nascimento de Cristo, o Nascimento da Luz" (Applied Biodynamics, no. 2, 1992, 1). Isso não é um mero fraseado simbólico. Luz da Luz. No meio do inverno, quando os dias começam mais uma vez a se alongar, algo se agita não apenas no céu, mas também sob o solo. O germe da luz que nasce na escuridão retorna anualmente para gerar vida. E assim como esse ritmo cósmico pulsa no calendário, ele também busca nascer no coração humano: "Cristo agora pode nascer no coração humano que está aberto a esse nascimento" (Ibid.).
Como agricultores e jardineiros, não apenas testemunhamos esse processo à distância, mas participamos dele. Cultivamos o solo, plantamos a semente e administramos o mistério que se desdobra.
Esse ritmo de descida e surgimento nos chama a mais do que a observação. Assim também, a ressurreição não é apenas uma promessa futura, mas uma tarefa presente. "O caminho de toda planta é o sacrifício: ela se entrega para se tornar algo novo - raiz, folha, flor, fruto". Percorrer as fileiras de um jardim é percorrer um caminho do Evangelho - um caminho escrito em clorofila e argila. "Para o agricultor experiente, o outono é sempre uma promessa de primavera" (Stewart Lundy, Applied Biodynamics, no. 105, 2022, 4).
II. A morte: O ego sacrificado em serviço
Cristo mostra o caminho: não para aniquilar o eu, mas para morrer para o egoísmo e viver para o todo.
A compostagem não é apenas uma técnica; é uma atividade espiritual. Colocamos nossa mão na roda do tempo e retemos a vida em um lugar a serviço de mais vida. A compostagem é a transformação da morte em vida, do lixo em alimento. Em Christo Morimur. Mas, mais profundamente, é uma imagem do ego humano na biodinâmica: a necessidade de ruptura, rendição e humildade.
Não há nada mais baixo do que o esterco, mas, como diz Chuang Tzu, o Tao está até nas coisas mais baixas. Não é suficiente empilhar matéria sobre matéria. O ser humano deve entrar com reverência e ritmo - Nossos atos de oração convidam a presença redentora de Cristo a santificar até mesmo o trabalho mais humilde da pilha de compostagem. Os preparativos não são mecânicos. São atos livres de clareza moral, exigindo o gesto interior de sacrifício. Nosso trabalho com os preparativos é um ato de amor em liberdade que permite que o Cristo penetre na existência da Terra.
O que importa não é a identidade pessoal ou o domínio, mas o serviço. A medida de nossa liberdade e de nosso amor é nossa disposição de abrir mão de nossa liberdade em prol dos outros. Cristo deu seu sangue para a Terra. O que nos é pedido agora é que doemos nossa vontade - nossos atos e participação consciente. A morte do ego não é uma perda de si mesmo, mas uma submissão a algo maior. À medida que a espada meteórica de Miguel abre o caminho, o solo é preparado pela experiência, ficando pronto para receber a iluminação.
Manfred Klett escreve: "A fazenda se torna uma manifestação de amor... A terra está ansiando por esse amor!" (Applied Biodynamics, no. 62, 2008, 10). A morte do ego não é o fim, mas a condição para a ressurreição.
III. Ressurreição: O Retorno do Filho
O Pai corre para encontrar o Filho que retorna. O mundo não está simplesmente condenado - seu retorno é aguardado com ansiedade.
Vivemos em uma era de exílio, como Adão foi expulso do jardim ou Israel vagou pelo deserto. Como almas, podemos ter todos os confortos da criatura, mas, ainda assim, permanecemos espiritualmente sem lar. A humanidade se esqueceu da casa do Pai, e a Terra parece abandonada no vazio do espaço. Mas, por meio da agricultura crística, ensaiamos nosso retorno. A biodinâmica não é apenas um método - é uma jornada para casa.
Com nossas pequenas cruzes, participamos da espiritualização da matéria. Assim como o pior é o melhor pervertido, o melhor também é o pior elevado ao seu devido lugar. Por meio de nosso sacrifício voluntário e sem sangue ("forças de vontade"), tornamo-nos colaboradores em uma vasta conspiração para santificar a Terra. Patricia Smith explica: O mistério do nascimento, morte e ressurreição de Cristo ocorreu de tal forma que Seu sangue foi derramado sobre a Terra. Esse evento marcou o início da espiritualização da Terra. Vivemos agora em um mundo impregnado de substância moral. Cabe a nós tomar consciência disso.
Somos chamados a cooperar com a graça divina, transformando a nós mesmos e cuidando da Terra à luz do impulso de Cristo. A biodinâmica não é apenas agricultura - ela tem um caráter sacramental. O pai corre para encontrar o filho pródigo quando ele volta para casa - mas o banquete ainda precisa ser preparado. Toda refeição, corretamente preparada e recebida com gratidão, torna-se um sinal de graça - refletindo a luz divina como o luar.
Como Stewart Lundy escreve: "Embora seja uma maneira difícil de expressar, pode-se dizer que o 'Sol do Sol do Sol' é o Cristo" (Applied Biodynamics, no. 106, 2022, 7). Essa luminosidade tríplice fala ao coração de uma "agricultura ungida": não simplesmente aquecida pela luz do sol, mas iluminada desde sua fonte. É esse brilho mais profundo - a luz por trás da luz - que entra no campo por meio das preparações, consagrando o ato de cultivar. A fonte de toda a luz não é meramente solar, mas divina. Como agricultores e jardineiros, nossa tarefa é coletar essa dádiva de luz que desce livremente como o orvalho, permitindo que seu brilho viva no maior número possível de formas de vida. Os preparativos não são superstição - são uma restituição. A Terra aguarda nossa participação reverente.
Bênção de encerramento
Tudo o que morre vive novamente.
Na semente de Cristo enterrada na Terra,
Que possamos aprender a nos erguer em liberdade.
Que o amor de Cristo
Flua para os campos e para os agricultores.
E que nossas preparações, como presentes sagrados,
Sejam depositados no altar do solo
Com confiança, clareza e alegria.
Perguntas frequentes
A Agricultura Ungida se refere a uma abordagem holística da agricultura que integra práticas agrícolas tradicionais com princípios espirituais e éticos para aprimorar a sustentabilidade e promover a gestão ambiental.
A Agricultura Ungida beneficia o meio ambiente ao promover práticas agrícolas sustentáveis que reduzem a poluição, conservam a água e melhoram a saúde do solo, resultando em um ecossistema mais equilibrado.
As principais práticas da Agricultura Ungida incluem a rotação de culturas, a agricultura orgânica, a permacultura e a integração de valores espirituais e éticos aos métodos agrícolas para garantir a sustentabilidade a longo prazo.
Sim, a Agricultura Ungida pode ser adaptada a vários tipos de fazendas, incluindo fazendas familiares de pequena escala e operações agrícolas maiores, pois ela se concentra em princípios que podem ser adaptados às necessidades ambientais e comunitárias específicas.