Observação Goetheana
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Como diz Goethe, "se quisermos nos aproximar de uma percepção viva(Anschauung) da natureza, devemos nos tornar tão móveis e flexíveis quanto a própria natureza".
Isso significa que, se quisermos olhar para uma planta e tentar ver o que ela significa no contexto da criação natural, devemos olhar sem escamas em nossos olhos. Devemos deixar de lado os preconceitos pessoais e permitir que a planta seja o que é e não desejar que ela seja outra coisa. Em uma palavra, devemos nos aproximar de algo com amor, abraçando-o pelo que ele já é.
Como diz Dag Hammarskjold: "Por tudo o que já foi - Obrigado! Para tudo o que será - Sim!" Isso deve ser aplicado até mesmo à menor planta, se quisermos apreciá-la em sua plenitude. A observação goetheana não é, de forma alguma, anticientífica, mas tem a ver com o desenvolvimento da capacidade interna de fazer as conexões intuitivas do coração, sem as quais a ciência estatística é estéril. Se tivermos apenas estatísticas, mas não tivermos imaginação para "conectar os pontos", é como se estivéssemos olhando para uma linguagem sem sentido. Essa capacidade interna exige a suspensão do preconceito e a permanência no amor. Se, como Malebranche, podemos afirmar que "a atenção é a oração natural da alma", então a observação goetheana é um tipo de oração, um desejo de conhecer quem está trabalhando por trás de cada fenômeno, o artista por trás da obra de arte. Quando aplicamos isso universalmente, nos aproximamos do "sacramento do momento presente", sobre o qual Jean Pierre de Caussade escreve em Self-Abandonment.
Se, como diz Goethe, "Um homem vê no mundo o que traz no coração", então o que trazemos no coração quando nos aproximamos dos fenômenos determinará o que encontraremos no mundo. Dessa forma, um estado de espírito de amor nos ajudará a ver o valor até mesmo em coisas aparentemente desagradáveis. A gratidão difusa nos ajudará a desenvolver um relacionamento com o mundo e até mesmo, ouso dizer, com o esterco.